Quando As luzes se apagam e os
olhos se fecham, os sonhos visitam a nossa mente. Quando ele dormia aqui, o
sono ia embora de repente. Eu lutava com Orfeu e implorava que me deixasse
acordada. Eu queria aproveitar cada segundo com esse moço dono de tanta risada.
Estar com ele era tudo, mesmo que não estivéssemos fazendo nada.
Moço das mãos trêmulas de medo,
conta-me seu maior segredo e me faz sorrir novamente. Eu sei que um dia falei
que não deveríamos seguir em frente, mas a gente erra mesmo quando tenta muito
acertar. Moço inocente, ensina-me mais uma vez como é sonhar. É que depois de
ti, eu já não sou capaz de dormir. Tudo fica mais claro quando você está aqui.
Queria sentir suas mãos afagando
levemente meu cabelo. Queria sentir um estremecimento no corpo inteiro. Sorrir
contigo é fácil. Difícil foi dizer adeus. Menino, eu ainda me lembro dos
abraços teus. Ainda me lembro do som das ondas do mar e dos nossos beijos
intermináveis. Juro-te que aqueles foram os dias mais agradáveis. Se eu pudesse
voltar ao passado, avançaria mais uma vez os limites que existiam entre nós. Se
pudesse multiplicar, multiplicaria nosso tempo a sós.
É incrível como tanta coisa é
dita em uma única ligação. Na calada da
noite, desaparecem todas as contradições. Confissões são feitas e juras de amor
inabalável começam a se construir. Moço da pele morena e dos olhos de luz, diga
de uma vez por todas porque nunca está aqui. Diga porque meu corpo nunca te
seduz. Explica-me porque minha voz não possui poder algum sobre ti. Ensina-me
como é que, mesmo em meio à guerra, levantas o rosto e começa a sorrir.
Enquanto o quarto se enche das
mais lindas canções de amor. Eu me deito ao teu lado e tu ficas quieto, tímido,
sempre a me contemplar. Moço dos cabelos de anjo, como é que consegues manter
tanta serenidade? Ensina-me como isso existe em meio a tanta maldade. Confessa
que teu amor por mim ainda sobrevive de algum jeito dentro de ti. Meu mundo
fica mais feliz quando eu tenho você aqui.
Nosso amor era tão puro, tão singelo e tão
simples que não parecia real. Cada minuto sem tua presença parecia vazio e sem
cor. Eu acreditei quando tu falaste de amor. A poesia saía de teus lábios feito
néctar saindo da flor. Tu achavas que era pouco, mas era mais que eu merecia.
Eu nunca te disse, mas eu o olhei por horas enquanto você dormia.
Menino que corre na areia, deixa
eu te abraçar pela última vez. Perdoa-me pelo que eu disse; vamos tentar outra
vez. Tu seguras a minha mão e não me deixa ir embora por mais que eu comece a
gritar. A vida nunca é simples, se tu começas a viver e arriscar.
Luciana Braga