Ele era
jovem, estatura mediana, cabelos negros, face rosada de espanto,
olhos intensos, lábios úmidos como se tivesse a todo momento pronto
para receber um beijo. Aparentemente tão dócil, tão ingênuo,
romântico e superficial.
No
entanto, por trás de tanta docilidade, havia um homem como apetite
voraz. Tão jovem e já tão experiente na arte do prazer sexual.
Seduzia suas vítimas com a mesma calmaria com que uma virgem sacode
o lenço da sacada de sua casa. Nenhum nem outro gesto são
despretensiosos.
Elas
sempre se aproximavam dele encantadas com seu modo pausado de falar,
seu bom domínio com as palavras, suas gentilezas constantes, seu
olhar penetrante e seu modo cavalheiro de se comportar.
Elas se
sentiam especiais, até que percebiam que tudo o que ele queria era
se fartar dos seus corpos virgens arfantes por amor. Ele as conduzia
ao precipício com fervor. Sabia exatamente o que vestir, o que
falar. Ele dominava a arte de conquistar e quando as tinha em seus
braços, fazia com que elas sentissem um prazer sem igual.
“Quando
ele tirou meu vestido com um só gesto, meu corpo inteiro tremeu de
prazer, senti seu membro forte e rígido a me preencher.”
“Quando
ele enfiou sua língua molhada em uma parte nunca tocada do meu ser,
enchi-me de prazer. Ele fez movimentos circulares e eu me debati
pedindo para ele parar, mas meus olhos estavam cheios de vontade e
ele continuo aquela crueldade até eu me desmanchar..”
“Quando
ele me levou para uma praia deserta e me disse que o céu seria nosso
lençol, senti-me como uma personagem dos contos eróticos que
outrora havia lido. Antes de encontrá-lo, achei que sabia o que era
amor, mas ainda não tinha conhecido.”
Tantos
relatos, tantas confissões, tantas mulheres, tantas paixões. Todas
intensamente amadas em um momento de insensatez e todas cruelmente
abandonadas, talvez...
Um
homem que as conquistava e sumia como um mágico. Um homem que
cometeu tantos crimes, um homem que ninguém intimamente jamais
conheceu.
Um
homem solitário, um homem vazio, distante de Deus. Um homem que
buscava em cada mulher uma nova realização. Um homem que não
diferenciava amor de paixão. Um homem que beijava os lábios de uma
mulher como uma abelha colhendo o néctar de uma flor. Um feiticeiro
do amor.
Esse
homem teve tantas histórias e se sentia tão sozinho. Um homem que
sumia sem deixar um rastro afinal. Um homem como nunca imaginei. O
único homem que um dia amei.
Luciana Braga