3.22.2015

UM HOMEM ENTRE TANTOS, DIFERENTEMENTE IGUAL




Ele era jovem, estatura mediana, cabelos negros, face rosada de espanto, olhos intensos, lábios úmidos como se tivesse a todo momento pronto para receber um beijo. Aparentemente tão dócil, tão ingênuo, romântico e superficial.
No entanto, por trás de tanta docilidade, havia um homem como apetite voraz. Tão jovem e já tão experiente na arte do prazer sexual. Seduzia suas vítimas com a mesma calmaria com que uma virgem sacode o lenço da sacada de sua casa. Nenhum nem outro gesto são despretensiosos.
Elas sempre se aproximavam dele encantadas com seu modo pausado de falar, seu bom domínio com as palavras, suas gentilezas constantes, seu olhar penetrante e seu modo cavalheiro de se comportar.
Elas se sentiam especiais, até que percebiam que tudo o que ele queria era se fartar dos seus corpos virgens arfantes por amor. Ele as conduzia ao precipício com fervor. Sabia exatamente o que vestir, o que falar. Ele dominava a arte de conquistar e quando as tinha em seus braços, fazia com que elas sentissem um prazer sem igual.
“Quando ele tirou meu vestido com um só gesto, meu corpo inteiro tremeu de prazer, senti seu membro forte e rígido a me preencher.”
“Quando ele enfiou sua língua molhada em uma parte nunca tocada do meu ser, enchi-me de prazer. Ele fez movimentos circulares e eu me debati pedindo para ele parar, mas meus olhos estavam cheios de vontade e ele continuo aquela crueldade até eu me desmanchar..”
“Quando ele me levou para uma praia deserta e me disse que o céu seria nosso lençol, senti-me como uma personagem dos contos eróticos que outrora havia lido. Antes de encontrá-lo, achei que sabia o que era amor, mas ainda não tinha conhecido.”
Tantos relatos, tantas confissões, tantas mulheres, tantas paixões. Todas intensamente amadas em um momento de insensatez e todas cruelmente abandonadas, talvez...
Um homem que as conquistava e sumia como um mágico. Um homem que cometeu tantos crimes, um homem que ninguém intimamente jamais conheceu.
Um homem solitário, um homem vazio, distante de Deus. Um homem que buscava em cada mulher uma nova realização. Um homem que não diferenciava amor de paixão. Um homem que beijava os lábios de uma mulher como uma abelha colhendo o néctar de uma flor. Um feiticeiro do amor.

Esse homem teve tantas histórias e se sentia tão sozinho. Um homem que sumia sem deixar um rastro afinal. Um homem como nunca imaginei. O único homem que um dia amei.

                                                                                                                               Luciana Braga
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