9.18.2014

MULHERES




Tentei esquecer e me manter totalmente inalcançável, mas o amor é uma flecha que nos acerta quando estamos desprevenidos.
Eu jurei que não sofreria mais uma vez, que não revisitaria meu coração. Prometi secar as lágrimas e seguir da maneira mais fria e superficial possível.
Todos me perguntavam espantados, porque não me arrepio com um toque carinhoso? Porque não solto gemidos de prazer? Porque eu me prendo tanto e sequer me sinto? Porque eu já me entreguei demais e fui transformada em um objeto frágil nas mãos de homens insensíveis e superficiais.
Jurei que para mim todos seriam tratados como iguais. Jurei que não demonstraria uma fraqueza sequer. Jurei ser mais que uma menina, jurei me transformar cedo demais em uma sofrida mulher.
Às vezes, a gente escolhe como agir, outras vezes as emoções determinam todo o resto.
Eu escolhi me manter distante e não amar jamais. Eu escolhi ser mais forte que fosse capaz. Escolhi fingir delicadeza por trás de uma mente diabólica ou o contrário, tanto faz. Escolhi não me entregar a nenhum rapaz.
Mas, ter meu corpo foi fácil, mas não me roubaram minha mente. Os homens não sabem de nada ou pensam que a gente não sente.
Milhares de anos sendo massacradas, subjugadas, declaradas incapazes. Milhares de anos sendo tratadas como bruxas, feiticeiras, imortais. Maltratadas, humilhadas, tratadas como seres sem ideais. Milhares de anos deitadas em uma cama sem poder dizer como gostaríamos de ser tocadas. Milhares de anos, sofrendo caladas.
Sem direito ao voto, sem direito a amor. As mulheres sempre foram as mocinhas, as frágeis, àquelas que devem ser resgatadas de uma torre de pavor. Tratadas ora como bruxas e ora como inúteis, como entender, afinal?
Mulheres sacrificadas como cordeiros. Virgens violentadas para satisfazer mentes insanas pelo mundo inteiro. Virgens trancadas em quartos frios para não difamar a família a que pertenciam. Pobres mulheres sofrendo em silêncio ou aos gritos em salas de tortura frias e vazias.
Como aceitar um pai que a renega desde o seu nascimento? Como amar um irmão que demonstra ser tão hostil quanto os vilões dos filmes que você viu? Como esperar encontrar alguém belo, carinhoso e gentil? Como desejar que exista alguém diferente de tudo o que já conheceu?
Mas, então a vida me apresenta o som suave da sua voz. As afinidades diminuem a distância que há entre nós.
Eu já não sou céu nublado, porque seus raios luminosos encheram completamente o meu coração sem luz. Já não sou sozinha porque meu amor me conduz. Já não penso em desistir, mesmo que não o tenha jamais. Algumas pessoas precisam ter para sentir. Eu só preciso saber que você existe ainda que apenas em meus ideais.


Luciana Braga
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