Ele a olhou pela
primeira vez. Os seus olhos brilharam, seu sorriso se abriu. Ela vendo aquele
espetáculo de alegria, também sorriu. Ele a chamou de fada, deusa, rainha,
princesa, musa de inspiração. Ela apertou forte a sua mão, mas não soube o que
dizer.
Ele quis contar
toda a sua vida, cada detalhe, cada emoção. Ela também contou tudo e aos poucos
já havia aberto para ele o seu coração. Ele a conduziu pela mão e falou que
nunca iria soltá-la. Confessou que a vida começou a existir quando ele
descobriu a beleza que é amá-la. Olhando em seus olhos, ele disse que já não
conseguia dormir sem que o rosto dela o velasse em pensamento. Explicou que cada
momento que eles viviam juntos era uma revelação. Explicou que era amor e não
paixão.
Ela limpou as
lágrimas e confessou também que há tempos tinha dito para si mesma que não ia
mais se apaixonar. Confessou que há tempos ela desistiu de se entregar.
Confessou que já estava acostumada com a solidão.
Então, ele segurou
forte a sua mão e disse: - Não tenha medo de amar, eu estou aqui! Não se negue
nunca a maravilha de sorrir. Não me deixe amando sozinho, pois seria tão cruel
comigo. Por favor, não me diga que temos que ser apenas amigos. Diga o que
sente e não o que é certo dizer. Diga assim baixinho: Querido, eu também amo
você...
-Será que você é
capaz de confessar? Será que consegue enfrentar as nossas diferenças? Será que
o amor é a mais poderosa crença? Será que eu sou tão ruim assim que você não
possa sequer tentar? Será que você tem que ser tão infeliz que não possa
aprender a amar?
Lágrimas correram
e se mostraram na face dela. Lágrimas de alegria, de amor ou de confirmação.
Lágrimas que iam de encontro ao seu coração. Lágrimas de quem tinha medo de
tentar. Lágrimas de quem estava prestes a recomeçar. Lágrimas de quem queria aprender
a amar.
Ele a abraçou com
tanta força e carinho que, aos poucos, metaforicamente, eles foram se
transformando em apenas um. Aos poucos, ela foi se acalmando e entendendo que
ele realmente a amava. Aos poucos seu coração foi amolecendo e ela conseguiu
olhá-lo nos olhos.
Ele não perdeu
tempo e então perguntou: - Aceita namorar comigo, por favor. Aceita namorar
comigo e põe fim a essa dor que está nos matando. Aceita que nossos corpos já
estão se amando. Aceita que eu nunca mais irei te soltar. Aceita o amor que eu
quero te dar. Aceita sem medo, sem pensar. Aceita que eu tenho certeza que a
farei feliz.
-Não, não se
afaste assim de mim como se eu fosse te fazer algum mal. Me aceita como um
igual, apesar de sermos tão diferentes. Aceita e deixa esse pobre coração
contente. Não, não diga agora, eu deixo você pensar o tempo que quiser. Mas,
saiba que você será a minha mulher. Não me importo com o tempo que passar, pois
eu sempre a buscarei em pensamento. O meu amor é mais forte que a certeza desse
momento. Então, não tente, por favor, se afastar. A distância não vai fazer esse
amor acabar. Só iremos adiar uma felicidade que já é certa. Só iremos cumprir
as palavras de um poeta que um dia escreveu sobre o que eu estou sentindo
agora. Pense, meu amor, pense e me responda quando chegar a hora.
Ela não acreditou
em tudo o que ouviu, mas rapidamente seu coração decidiu. Ela o beijou com
amor, com entrega, com sofreguidão. E uma lágrima caiu dos olhos de ambos e
rolou até onde estava unido aquilo que todos chamam de coração.
Luciana Braga