2.15.2014

VALENTINE' S DAY






Ele a olhou pela primeira vez. Os seus olhos brilharam, seu sorriso se abriu. Ela vendo aquele espetáculo de alegria, também sorriu. Ele a chamou de fada, deusa, rainha, princesa, musa de inspiração. Ela apertou forte a sua mão, mas não soube o que dizer.
Ele quis contar toda a sua vida, cada detalhe, cada emoção. Ela também contou tudo e aos poucos já havia aberto para ele o seu coração. Ele a conduziu pela mão e falou que nunca iria soltá-la. Confessou que a vida começou a existir quando ele descobriu a beleza que é amá-la. Olhando em seus olhos, ele disse que já não conseguia dormir sem que o rosto dela o velasse em pensamento. Explicou que cada momento que eles viviam juntos era uma revelação. Explicou que era amor e não paixão.
Ela limpou as lágrimas e confessou também que há tempos tinha dito para si mesma que não ia mais se apaixonar. Confessou que há tempos ela desistiu de se entregar. Confessou que já estava acostumada com a solidão.
Então, ele segurou forte a sua mão e disse: - Não tenha medo de amar, eu estou aqui! Não se negue nunca a maravilha de sorrir. Não me deixe amando sozinho, pois seria tão cruel comigo. Por favor, não me diga que temos que ser apenas amigos. Diga o que sente e não o que é certo dizer. Diga assim baixinho: Querido, eu também amo você...
-Será que você é capaz de confessar? Será que consegue enfrentar as nossas diferenças? Será que o amor é a mais poderosa crença? Será que eu sou tão ruim assim que você não possa sequer tentar? Será que você tem que ser tão infeliz que não possa aprender a amar?
Lágrimas correram e se mostraram na face dela. Lágrimas de alegria, de amor ou de confirmação. Lágrimas que iam de encontro ao seu coração. Lágrimas de quem tinha medo de tentar. Lágrimas de quem estava prestes a recomeçar. Lágrimas de quem queria aprender a amar.
Ele a abraçou com tanta força e carinho que, aos poucos, metaforicamente, eles foram se transformando em apenas um. Aos poucos, ela foi se acalmando e entendendo que ele realmente a amava. Aos poucos seu coração foi amolecendo e ela conseguiu olhá-lo nos olhos.
Ele não perdeu tempo e então perguntou: - Aceita namorar comigo, por favor. Aceita namorar comigo e põe fim a essa dor que está nos matando. Aceita que nossos corpos já estão se amando. Aceita que eu nunca mais irei te soltar. Aceita o amor que eu quero te dar. Aceita sem medo, sem pensar. Aceita que eu tenho certeza que a farei feliz.
-Não, não se afaste assim de mim como se eu fosse te fazer algum mal. Me aceita como um igual, apesar de sermos tão diferentes. Aceita e deixa esse pobre coração contente. Não, não diga agora, eu deixo você pensar o tempo que quiser. Mas, saiba que você será a minha mulher. Não me importo com o tempo que passar, pois eu sempre a buscarei em pensamento. O meu amor é mais forte que a certeza desse momento. Então, não tente, por favor, se afastar. A distância não vai fazer esse amor acabar. Só iremos adiar uma felicidade que já é certa. Só iremos cumprir as palavras de um poeta que um dia escreveu sobre o que eu estou sentindo agora. Pense, meu amor, pense e me responda quando chegar a hora.
Ela não acreditou em tudo o que ouviu, mas rapidamente seu coração decidiu. Ela o beijou com amor, com entrega, com sofreguidão. E uma lágrima caiu dos olhos de ambos e rolou até onde estava unido aquilo que todos chamam de coração.

Luciana Braga
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