8.20.2014

ANTES DO AMANHECER....




Dessa vez, você não precisou me pedir uma carta. Esta eu faço com o contentamento de quem encontra uma pessoa extraordinária no vagão de um trem. Dessa vez, eu escrevo com a sensação de que estou me desprendendo do meu corpo triste e solitário e estou vivendo um grande amor. Escrevo como se estivesse pronunciando a mais bela declaração que já se viu. Escrevo como se a ponte estivesse próxima a mim, mas ainda restasse um pouco de receio de pular. Escrevo como quem descobriu o que é amar. Escrevo como quem tem a certeza de que vai chorar depois que você partir.
Talvez esse não seja apenas o relato de um filme, mas pedaços da minha vida. Talvez eu me arrependa de tudo e delete ao final. Talvez eu revele nessa carta algumas histórias sobre as feridas que sangram nesse momento ou talvez eu jogue todas essas lembranças pela janela e deixe que elas sejam levadas pelo vento.
A vida é tão incerta e, ao mesmo tempo, tão fugaz. Às vezes, uma pessoa não faz ideia de o quanto é capaz de mudar a sua vida com uma simples decisão. Então, imagine que esse é um daqueles momentos em que você para e pensa em todas aquelas pessoas “maravilhosas” que passaram por sua vida e se pergunta: e se eu tivesse feito diferente?
Bom, é melhor terminar com as minhas divagações e ressaltar o que realmente importa: o filme “Antes do Amanhecer”. Aliás, reconheço que você merece mesmo um presente, mas não será uma quantia em dinheiro, visto que você é contra o Capitalismo, nem tampouco uma passagem para o exterior, pois não seria louca de afastá-lo de mim, justo quando estamos nos entendendo tão bem.
Eu resumiria esse filme com uma expressão “carpe diem”. É isso que eles fazem, Jesse e Celine resolvem aproveitar o curto tempo que é possível para estarem juntos. Resolver sair sem destino, arriscar, conhecer e se encantar. Engraçado é que em nenhum momento, eles resolvem se apaixonar, mas o amor surge mesmo assim.
Isso porque o amor não é como uma viagem com destino certo. O amor surge exatamente quando paramos de olhar pela janela e começamos a enxergar quem está do nosso lado e bem perto. O amor surge de repente e não há nenhum culpado. Ele vive nos livros, nos filmes ou no brilho de um olhar, basta prestar atenção. O amor está presente quando Jesse e Celine resolvem dar as mãos.
É curioso quando ela diz que no final, o casal meio que é programado naturalmente para que não haja comunicação alguma. Eu, por minha vez, creio que seria bem diferente. Quando se ama, a gente corre riscos. A gente aumenta o tom de voz. A gente também diminui se incomodar. Quando se ama, muda-se a rota, se assim precisar.
O filme é genial por causa das discussões filosóficas travadas entre o casal. É apaixonante por causa dos olhares que gritam mesmo em silêncio. É divertido por causa do jeito descontraído do Jesse e inteligente por causa de Celine. O filme ultrapassa os limites da perfeição. E ainda me deixou uma canção: “Come Here”, da Kath Bloom.
Aliás, a cena em que eles estão ouvindo essa música é de uma delicadeza indescritível.  A música fala de não ter pressa, de ter fé no amor e de se aproximar... Afinal, é assim que começamos a perigosamente nos apaixonar.
Além de tudo o que já foi dito, recordo que eles são tão diferentes e tão iguais. O fato é que eles se completam como o sol que brilha no mar ao amanhecer. Esse filme ficará guardado na memória, assim como você.


Luciana Braga
Compartilhe: